Sociedade e políticos divididos sobre armas

A flexibilização da posse de arma já divide integrantes da bancada evangélica da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), colocando em campos opostos a deputada eleita Gleide Ângelo (PSB) e o deputado Joel da Harpa (PP), ambos ligados à área de segurança pública. Gleide, delegada da Polícia Civil, avalia que deverá haver aumento nos feminicídios, e Joel, policial militar, defende o direito de legítima defesa do cidadão, seja na rua ou em casa. Esse debate já esquentou pelas redes sociais e estará dentro do Poder Legislativo a partir do dia 1º de fevereiro, quando os deputados retornam do recesso parlamentar.

Nesta semana, Gleide Ângelo, durante o programa No Cafezinho, apresentado pelas jornalistas Renata Bezerra e Carol Brito, a deputada advertiu que o uso das armas de fogo traz mais riscos de crimes contra a mulher e que isso não vai resolver o problema da violência, uma vez que quem tem a capacidade e obrigação de dar segurança é o Estado. “O maior número de mortes de mulheres no nosso país é por arma de fogo e não por faca. Os homens é que são os agressores, eles estão matando. Tudo isso tem que ter muito equilíbrio para ver o que é válido e o que não é, o que a sociedade precisa. A gente precisa pensar na segurança da sociedade”, alertou a socialista.

Para Joel da Harpa, a população brasileira “não suporta mais ver o cidadão de bem a mercê da criminalidade”, que, segundo ele está fortemente armada. “Sou completamente a favor da liberação de armas, pois a população tem o direito da legítima defesa, especialmente se vive em áreas em áreas isoladas ou exerce atividades de risco”, enfatizou.

O parlamentar defende não só a posse, mas também o porte de arma de fogo. “Usar uma arma para legítima defesa não é crime ou pecado”, garantiu. De acordo com o parlamentar, nos Estados Unidos a liberação do porte de armas tem garantido resultados positivos para a população.

O deputado é autor do projeto de lei que defende a isenção do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para a compra de armas de fogo por agentes de segurança pública. Ele defende, ainda, que guardas municipais e agentes de trânsito tenham a permissão para utilizar o armamento em serviço.

Gleide Ângelo discorda do posicionamento do colega de parlamento. Para a socialista, quem está capacitado para dar segurança à sociedade são os policiais. “O que era mais efetivo não é dar armas para as pessoas se defenderem, mas investir numa polícia que, com eficiência, proteja os cidadãos. As pessoas querem sair nas ruas e ter a sensação de segurança, mas não é com armas em casa. Elas acham que foi liberado o porte e isso não foi. A posse já era permitida. O que houve foi uma mudança nos requisitos para que a pessoa tenha aquela arma em casa. Mas com relação ao porte, isso não mudou”, ressaltou a deputada.         

Em um memorando enviado para os delegados da Polícia Federal que atuam no controle de armas, o chefe da Divisão Nacional de Controle de Armas de Fogo (Darm), delegado Eder Rosa de Magalhães, alertou sobre as “nefastas consequências” que o aumento do número de armas nas mãos dos cidadãos pode acarretar. “Nos requerimentos voltados à aquisição de mais de quatro armas de fogo deverá haver uma análise aprofundada voltada a sopesar a efetiva necessidade prevista na Lei 10.826/2003 para a aquisição e transferência de armas de fogo, haja vista as nefastas consequências que um aumento exagerado de armas em poder dos cidadãos pode acarretar à incolumidade pública”, afirma o alerta.

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